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Regras do método sociológico

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Especificações

ISBN9788532660862
Dimensoes13.7cm x 21.0cm x 0.8cm
Edicao1
NrPaginas160

especificação

AutorEmile Durkheim
Selo EditorialEditora Vozes
ColecoesSOCIOLOGIA
TemasSociologia
A sociologia não deve tomar partido entre as grandes hipóteses que dividem os metafísicos. E menos ainda afirmar mais a liberdade do que o determinismo. Tudo que ela pede que lhe concedam é que o princípio de causalidade se aplique aos fenômenos sociais. Além disso, esse princípio é por ela apresentado não como uma necessidade racional, mas somente como um postulado empírico, produto de uma indução legítima. Uma vez que a lei da causalidade foi verificada nos outros reinos da natureza e que, progressivamente, ela estendeu seu domínio do mundo físico-químico ao mundo biológico, e deste ao mundo psicológico, reservamo-nos o direito de admitir que ela seja igualmente verdadeira para o mundo social; e é possível acrescentar hoje que as pesquisas empreendidas com base nesse postulado tendem a confirmá-lo. Mas a questão de saber se a natureza do vínculo causal exclui toda contingência nem por isso está resolvida.

SUMÁRIO

Prefácio à segunda edição, 19
Introdução, 35
Estado rudimentar da metodologia nas ciências sociais.
Objeto da obra.
Capítulo I – O que é um fato social?, 37
O fato social não pode ser definido por sua generalidade no
interior da sociedade. Caracteres distintivos do fato social:
1) Sua exterioridade em relação às consciências individuais.
2) A ação coercitiva que ele exerce ou é capaz de exercer
sobre essas mesmas consciências. Aplicação dessa definição
às práticas constituídas e às correntes sociais. Verificação
dessa definição.
Outra maneira de caracterizar o fato social: o estado de independência
em que ele se encontra em relação às suas manifestações
individuais. Aplicação dessa característica às práticas constituídas
e às correntes sociais. O fato social se generaliza porque
é social, em vez de ser social porque é geral. Como essa segunda
definição se encaixa na primeira.
Como os fatos de morfologia social se encaixam nessa mesma
definição. Fórmula geral do fato social.
Capítulo II – Regras relativas à observação dos fatos sociais, 48
Regra fundamental: Tratar os fatos sociais como coisas.
I – Fase ideológica pela qual passam todas as ciências e no
decorrer da qual elaboram noções vulgares e práticas, em vez de
descrever e de explicar as coisas. Por que essa fase deveria ser
ainda mais longa em Sociologia do que nas outras ciências. Fatos
emprestados à sociologia de Comte, à de Spencer, ao estado atual
da moral e da economia política e que mostram que esse estágio
ainda não foi ultrapassado.
Razões para superá-lo:
1) Os fatos sociais devem ser tratados como coisas porque
são os dados imediatos da ciência, ao passo que as ideias,
das quais eles devem ser o desenvolvimento, não são diretamente
dadas.
2) Todos eles têm os caracteres da coisa.
Analogias entre essa reforma com a que recentemente transformou
a psicologia. Razões para esperar, no futuro, um rápido
progresso da sociologia.
II – Corolários imediatos da regra precedente.
1) Eliminar da ciência todas as prenoções. Do ponto de vista
místico que se opõe à aplicação dessa regra.
2) Como constituir o objeto positivo da pesquisa: agrupar
fatos segundo seus caracteres exteriores comuns. Relações
entre o conceito assim formado com o conceito vulgar.
Exemplos dos erros aos quais se está exposto por negligenciar
ou não aplicar corretamente essa regra: Spencer e sua
teoria da evolução do casamento; Garofalo e sua definição
do crime; o erro comum que recusa uma moral às sociedades
interiores. Que a exterioridade dos caracteres que entram
nessas definições iniciais não constitui um obstáculo às explicações
científicas.
3) Além disso, esses caracteres exteriores devem ser os
mais objetivos possível. Como proceder: apreender os fatos
sociais pelo lado em que se apresentam isolados de
suas manifestações individuais.
Capítulo III – Regras relativas à distinção entre o normal e o
patológico, 75
Utilidade teórica e prática dessa distinção. Ela deve ser cientificamente
possível para que a ciência possa servir na direção
da conduta.
I – Exame dos critérios habitualmente empregados: a dor
não é o sinal distintivo da doença, pois faz parte do estado de saúde;
nem a diminuição das chances de sobrevivência, pois às vezes
é produzida por fatos normais (velhice, parto etc.), e não resulta
necessariamente da doença; além disso, esse critério é na maioria
das vezes inaplicável, sobretudo em sociologia.
A doença distinguida do estado de saúde como o anormal
do normal. O tipo médio ou específico. Necessidade de levar em
conta a idade para determinar se o fato é normal ou não.
Como essa definição do patológico coincide, em geral, com
o conceito habitual da doença: o anormal é o acidental; por que
o anormal, em geral, constitui o ser em estado de inferioridade.
II – Utilidade na verificação dos resultados do método precedente
buscando as causas da normalidade do fato, isto é, de sua
generalidade. Necessidade de realizar essa verificação quando se
trata de fatos relativos às sociedades que não consumaram sua
história. Por que esse segundo critério só pode ser empregado de
forma complementar e em segundo lugar.
Enunciado das regras
III – Aplicação dessas regras a alguns casos, principalmente à
questão do crime. Por que a existência de uma criminalidade é um
fenômeno normal. Exemplos dos erros que se cometem quando essas
regras não são seguidas. A própria ciência torna-se impossível.
Capítulo IV – Regras relativas à constituição dos tipos
sociais, 100
A distinção entre o normal e o anormal implica a constituição
de espécies sociais. Utilidade desse conceito de espécie,
intermediário entre a noção do genus homo e a de sociedades particulares.
I – O meio de constituí-los não é elaborando monografias.
Impossibilidade de se obter sucesso por esse caminho. Inutilidade
da classificação que seria assim construída. Princípio do método
a ser aplicado: distinguir as sociedades a partir de seu grau
de composição.
II – Definição da sociedade simples: a horda. Exemplos de
algumas das maneiras como a sociedade simples se compõe consigo
mesma e seus compostos entre eles.
No interior das espécies assim constituídas, distinguir algumas
variedades consoante os segmentos componentes sejam
coalescentes ou não.
Enunciado da regra
III – Como o que precede demonstra a existência de espécies
sociais. Diferenças na natureza da espécie em biologia e em
sociologia.
Capítulo V – Regras relativas à explicação dos fatos sociais, 112
I – Caráter finalista das explicações em uso. A utilidade de
um fato não explica sua existência. Dualidade das duas questões,
estabelecida pelos fatos de sobrevivência, pela independência do
órgão e da função e pela diversidade de serviços que uma mesma
instituição pode prestar sucessivamente. Necessidade da busca
das causas eficientes dos fatos sociais. Importância preponderante
dessas causas em sociologia, demonstrada pela generalidade
das práticas sociais, inclusive as mais minuciosas.
A causa eficiente deve, portanto, ser determinada independentemente
da função. Por que a primeira busca deve preceder a
segunda. A utilidade desta última.
II – Caráter psicológico do método de explicação geralmente
seguido. Esse método menospreza a natureza do fato social que,
em virtude de sua definição, é irredutível aos fatos puramente
psíquicos. Os fatos sociais não podem ser explicados senão pelos
fatos sociais.
Como explicar que seja assim, ainda que a sociedade tenha
por matéria apenas consciências individuais. Importância do
fato da associação que dá origem a um ser novo e a uma ordem
nova de realidades. Solução de continuidade entre a sociologia
e a psicologia análoga àquela que separa a biologia das ciências
físico-químicas.
Se essa proposição se aplica ao fato da formação da sociedade.
Relação positiva entre os fatos psíquicos e os fatos sociais. Os
primeiros são a matéria indeterminada que o fator social transforma:
exemplos. Se os sociólogos atribuíram a eles um papel mais
direto na gênese da vida social é porque consideraram como fatos
puramente psíquicos os estados de consciência que são apenas
fenômenos sociais transformados.
Outras provas em apoio à mesma proposição:
1) Independência dos fatos sociais em relação ao fator étnico,
o qual é de ordem orgânico-psíquica.
2) A evolução social não é explicável pelas causas puramente
psíquicas.
Enunciado das regras a esse respeito. Como essas regras são
desconhecidas, as explicações sociológicas têm um caráter demasiado
geral que as desacredita. Necessidade de uma cultura propriamente
sociológica.
III – Importância primária dos fatos de morfologia social
nas explicações sociológicas; o meio interno é a origem de todo
processo social de alguma importância. Papel particularmente
preponderante do elemento humano desse meio. Portanto, o problema
sociológico consiste sobretudo em encontrar as propriedades
desse meio que têm uma maior ação sobre os fenômenos
sociais. Dois tipos de caracteres correspondem particularmente a
essa condição: o volume da sociedade e a densidade dinâmica medida
pelo grau de coalescência dos segmentos. Os meios internos
secundários; a relação deles com o meio geral e com o conjunto
da vida coletiva.
Importância dessa noção do meio social. Quando rejeitada,
a sociologia não pode mais estabelecer relações de causalidade,
mas somente relações de sucessão, que não comportam a previsão
científica: exemplos tomados de Comte e de Spencer. Importância
dessa mesma noção para explicar como o valor útil das
práticas sociais pode variar sem depender de arranjos arbitrários.
Relação dessa questão com a dos tipos sociais.
Que a vida social assim concebida depende de causas internas.
IV – Caráter geral dessa concepção sociológica. Para Hobbes,
o vínculo entre o psíquico e o social é sintético e artificial; para
Spencer e os economistas, ele é natural, mas analítico; para nós,
ele é natural e sintético. Como esses dois caracteres são conciliáveis.
Consequências gerais que deles resultam.
Capítulo VI – Regras relativas à administração da prova, 142
I – O método comparativo ou experimentação indireta é o
método da prova em sociologia. Inutilidade do método denominado
por Comte de histórico. Resposta às objeções de Mill quanto
à aplicação do método comparativo à sociologia. Importância do
princípio: a um mesmo efeito sempre corresponde uma mesma causa.
II – Entre os diversos procedimentos do método comparativo,
por que o método das variações concomitantes é o instrumento
por excelência da pesquisa em sociologia; sua superioridade:
1) Na medida em que alcança o vínculo causal a partir de
dentro.
2) Na medida em que permite a utilização de documentos
mais bem selecionados e criticados.
Por que a sociologia, por estar reduzida a um único procedimento,
não se encontra em relação às outras ciências em um estado
de inferioridade graças à riqueza das variações de que o sociólogo
dispõe. Mas é necessário que sejam comparadas apenas séries contínuas
e extensões de variações, e não variações isoladas.
III – Diferentes maneiras de compor essas séries. No caso em
que seus termos possam ser emprestados de uma única sociedade.
No caso em que é preciso emprestá-los de sociedades diferentes,
mas de mesma espécie. No caso em que é preciso comparar
espécies diferentes, pois esse caso é o mais geral. A sociologia
comparada é a própria sociologia.
Precauções que devem ser tomadas para evitar certos erros
no decorrer das comparações.
Conclusão, 155
Caracteres gerais desse método:
1) Sua independência em relação a qualquer filosofia (independência
que é útil à própria filosofia) e em relação às doutrinas
práticas. Relações da sociologia com essas doutrinas.
Como ela permite dominar os partidos.
2) Sua objetividade. Os fatos sociais considerados como coisas.
Como esse princípio domina todo o método.
3) Seu caráter sociológico: os fatos sociais explicados sem
perder sua especificidade; a sociologia como ciência autônoma.
Que a conquista dessa autonomia é o mais importante
avanço que ainda resta à sociologia fazer.
Uma maior autoridade da sociologia assim praticada.

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